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  • Foto do escritorMarcelo Dutra da Silva

PERSPECTIVAS AMBIENTAIS PARA A REGIÃO SUL: BATE-PAPO COM O DEPUTADO FERNANDO MARRONI

Continuando a conversa com os nossos representantes no Parlamento, quanto ao que pensam sobre as questões e demandas de meio ambiente da nossa região, trago neste segundo texto o bate papo como o Dep. Fernando Marroni, 62 anos, natural de Pelotas, servidor público federal, ex-prefeito de Pelotas e deputado federal por dois mandatos. Ícone do Partido dos Trabalhadores na região foi eleito em 2018 deputado estadual pelo PT, com mais de 30 mil votos. Um político experiente, sólido de nome limpo, respeitado e muito preparado, que chega na Câmara Legislativa num momento difícil e de grande dificuldade para o Estado.

FOTO: Deputado Estadual Fernando Marroni


Iniciamos a conversa falando sobre os projetos de mineração, previstos para o sul do Estado. Marroni considera todos os projetos muito importantes, mas recomenda que sejam observadas as tecnologias de exploração, beneficiamento e controle ambiental, sobretudo as normas de segurança. De qualquer forma, diz não ter uma posição definida, mas aponta que a exploração de carvão não é uma boa ideia. A poluição e os malefícios da queima do carvão estão mais do que comprovados e o seu uso para fins energéticos está ultrapassado, é coisa do passado, afirma. Além disso, especialistas alertam que a Mina Guaíba, a ser implementada entre os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas, distante apenas 15 quilômetros de Porto Alegre, próximo ao Delta do Rio Jacuí, poderia comprometer o abastecimento de água e entre outras coisas pressionar fortemente a fauna e a flora daquela região. No entanto, a empresa responsável sustenta que as novas tecnologias garantem a segurança do empreendimento, previsto para extrair 166 milhões de toneladas de carvão e com isso dar suporte a um novo polo carboquímico, capaz de gerar até US$ 4,4 bilhões em investimentos.


Na visão do Deputado, devemos retomar os projetos de energia eólica e explorar da melhor forma possível a nossa capacidade de geração (algo em torno de 2,6 GW, o maior potencial eólico do país), pois energias limpas são vetores importantes de desenvolvimento. Que a recuperação do Polo Naval é possível e sua capacidade instalada na área metal mecânica precisa ser aproveitada em projetos alternativos, pelo menos até que novas decisões políticas reencontrem o caminho da valorização do conteúdo nacional. E que a notícia de um novo porto no litoral do Estado, na região norte, entre Torres e Arroio do Sal, deve ser vista com preocupação, sobretudo porque pode se sobrepor ao porto do Rio Grande e prejudicar a economia da Metade Sul. De outra parte, reconhece a importância do investimento, estimado em 1 bilhão de reais; que os custos de logística, sobretudo o deslocamento rodoviário (pedágio), tornaram o transporte de cargas e mercadorias, na direção sul, pouco competitivo. A saída é buscarmos alternativas e nunca foi tão importante colocarmos em prática um novo modelo de transporte das nossas riquezas. Precisamos da hidrovia, que já é operacional em alguns trechos, mas ainda de forma muito tímida. Está na hora de ampliar isso, recomenda.


A conversa fluiu e falamos de propostas. O deputado disse ter o meio ambiente como uma das preocupações de seu mandato. E fiquei muito feliz em saber de sua proposta de lei, relacionado ao glifosato. O projeto ainda está tramitando na Casa, mas tem por objetivo alertar os consumidores, por meio da rotulagem dos produtos que foram produzidos ou que tiveram contato com este perigoso químico de lavoura na sua produção ou beneficiamento. O glifosato é o agrotóxico mais comercializado no mundo e tem sido apontado como principal causa de diferentes tipos de câncer e outras doenças, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDHA), Parkinson, Autismo, Intolerância ao Glúten, doenças crônicas nos rins, depressão, diabetes... A lista é realmente grande. O interessante é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recentemente concluiu sua análise e disse que o agrotóxico mais utilizado no Brasil não causa câncer. A substância estava em reavaliação desde 2008 e diversas instituições ligadas à Organização Mundial da Saúde (OMS) defendem, justamente, o contrário, que o glifosato é potencialmente cancerígeno.

Boa sorte ao Deputado!

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Publicação original

Artigos do Diário Popular (10/04/19)

Link: https://www.diariopopular.com.br/opiniao/perspectivas-ambientais-para-a-regiao-sul-bate-papo-com-o-deputado-fernando-marroni-140273/

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