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  • Foto do escritorMarcelo Dutra da Silva

PRIORIDADES QUE MERECEM ATENÇÃO DO “NOVO GOVERNO” DE PELOTAS

A prefeita Paula foi reeleita e a posse será em janeiro de 2021. Mas a movimentação está intensa. Nomes estratégicos são indicados a cada posição e aos poucos o “novo governo” vai ganhando forma, no complexo xadrez do executivo.


Imagem: Prefeita Paula Mascarenha


No meio ambiente, nenhuma mudança à vista e o secretário que assumiu no período pré-eleitoral deve permanecer no cargo. Mas tudo pode mudar, em breve. O vento é forte! E repetindo, exatamente, as palavras de 2016: o desafio ambiental de Pelotas é gigantesco, as demandas são variadas e precisamos definir prioridades.

Infelizmente, em matéria de meio ambiente, prioridade não é o nosso forte. A cidade cresceu, os problemas se multiplicaram e muitas demandas permaneceram reprimidas:

A água que tomamos não é segura e é servida com agrotóxicos; valetas continuam a céu aberto, predominantemente nas áreas onde vivem as pessoas menos favorecidas; falta rede para atender todos os domicílios; o sistema de drenagem é antigo e não acompanhou o crescimento da cidade; o esgoto segue por canais emissários, que rasgam a cidade oferecendo perigo; e nem todo efluente gerado é coletado. Parte do que chega nas estações de tratamento não é tratado, pois a única estação que funciona, no Laranjal, opera com grande dificuldade.

Portanto, o saneamento continua sendo o nosso a nosso maior problema e precisamos enfrentá-lo com urgência. O SANEP não dispõe dos recursos necessários e de uma forma ou de outra vamos ter que buscar o investimento privado, seja firmando parcerias ou privatizando o serviço de vez. Só não compreendo por que participamos com tão pouco, diante de tantas necessidades.

São cinco reais para cada 100 arrecadados, de acordo com o Instituto Trata Brasil (2020). E talvez isso explique a nossa humilhante posição 79, no ranking do saneamento básico, entre as 100 maiores cidades brasileiras, publicado pelo Instituto. E enquanto nada é feito para melhorar a triste situação que nos encontramos, a contaminação avança e alcança tudo a nossa volta.

Estudos já revelaram níveis alarmantes de contaminação, incluindo a presença de metais pesados no sedimento e nos tecidos de peixes e camarões capturados no canal São Gonçalo e na Lagoa dos Patos. Também, com frequência as águas das nossas praias são apontadas como impróprias para banho, por conta da presença de coliformes fecais. E vai além. Produzimos um volume impressionante de lixo e gastamos fortunas para recolher e descartar os resíduos no aterro sanitário de Candiota.

Falta uma política de consciência pela redução do desperdício. O que reciclamos é pouco e talvez por não entendermos que lixo gera receita, emprego e renda. A cidade cresce em dissonância com o planejamento e está decompondo a paisagem natural do entorno urbano, consumindo áreas de preservação permanente de altíssimo significado ecológico, incluindo ambientes de margem, expondo as pessoas ao risco elevado de inundação.

Resumindo, o tempo passou e não avançamos na nossa política ambiental. Não criamos unidades de conservação, o licenciamento ambiental parece desconectado da realidade e do contexto, permanecemos deficientes na fiscalização e no controle e a Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental reduzida ao papel cartorial de emissão de licenças.

É possível ser melhor e diferente. Prefeita Paula, por favor, seja mais sensível ao tema. A paralisia ambiental que vivemos em Pelotas impacta, diretamente, à nossa qualidade de vida.

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Publicação original

Texto da Gazeta (24/12/20)

Link: http://www.gazetapel.com/index_htm_files/marcelo.jpg

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